26 de dezembro de 2013

Esperança

Escrito por Rafael Leite
No dia da entrevista, fomos apurar com comerciantes da região dos pianos: Praça Ernesto Fassini, Praça do Papa, Avenida Bernardo Monteiro e Praça da Savassi. A ansiedade tomava conta de nós, principalmente de mim e do Igor, que entrevistaríamos aquele que teve a sensacional ideia de colocar pianos em praças públicas, a entrevista que garantiria a sensacional reportagem. Após a apuração (curiosamente, encontramos Gabriel Guedes no bar próximo ao piano da Savassi, mas não nos aproximamos, parecia estar tratando de negócios e não queríamos incomodar), eu e Igor fomos para minha casa, que fica próximo do bar. Eram 18h e pouquinha, precisávamos ainda terminar as perguntas a serem feitas para o Gabriel e adiantar algumas transcrições de entrevistas feitas pelos pianos. Iríamos encontrar o dono da ideia às 20h, em ponto. 19h40min saímos de casa.
Subimos a Rua Barão de Saramenha, viramos à esquerda. Caminhamos alguns metros na Rua Salinas, viramos à direita. Seguimos pela Rua Paraisópolis. Um pouco antes da famosa esquina da Rua Paraisópolis com a Rua Divinópolis – berço do Clube da Esquina, grupo no qual participava Beto Guedes, pai do Gabriel – fica o Godofrêdo. Chegamos lá eram 19h53min, 7 minutos de antecedência. Aguardamos dar as exatas 20h combinadas, e adentramos o bar.
- O Gabriel não está, acabou de sair. O que querem com ele? – disse o garçom.
- Temos uma entrevista marcada com ele às 20 horas. – respondeu Igor.
- Ele já deve estar voltando, vou tentar ligar para ele. Enquanto isso, fiquem a vontade. Vão querer beber alguma coisa?
Igor pediu um chopp e eu fiquei parado, esperando. Não conseguia ficar assentado, de tão ansioso que estava. Será que nossa matéria tinha morrido ali? Iríamos, mais uma vez, ficar sem a entrevista-chave? Já estava ficando aflito, o garçom tentara entrar em contato com ele por telefone, mas sem resposta.
- Igor, o que vamos fazer?
Assentei para tentar acalmar. Mesmo assim, não conseguia ficar sem olhar para os lados, e entre uma olhada e outra admirando a beleza do bar – bem interessante, por sinal: possui algumas miniaturas de aviões penduradas no teto, instrumentos musicais pregados nas paredes, um palco meio improvisado no meio, além das mesas, num espaço que parecia ter sido uma casa, outrora (será que ele mora ali?) – ficava olhando a escada, para ver se finalmente a estrela da reportagem chegava.
De repente (e finalmente), surge subindo as escadas um homem parecido com o Johnny Depp: cabelos longos, bigode, barba só no meio. O garçom avisa que estamos a sua espera. Ele coloca as compras que havia feito atrás do balcão e vem ao nosso encontro.
- Prazer, eu sou o Igor, este é o Rafael. Vamos começar?
- Sim, podemos.
- Primeiramente, de onde surgiu a ideia de colocar os pianos nas praças?
- Surgiu no ano passado quando eu coloquei um na Praça do Papa devido às manifestações contra o aumento dos vereadores. Tive a ideia quando estava vendo o filme sobre a vida do Van Gogh e tinha uma cena...