23 de setembro de 2013

Brasil do Reino de Deus

Escrito por Rafael Leite


Diz-se muito sobre o Brasil ser um estado laico, ou seja, ser neutro quanto ao campo religioso. Porém, nos últimos anos, uma tal “bancada evangélica” começou a interferir (até demais) em nosso país, principalmente um tal deputado federal, o pastor Marco Feliciano, que parece querer controlar a população. A religião pode interferir na política?

Não. Está escrito no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988: “VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa [...]”. Qualquer lei que for criada, baseada em crenças religiosas, seria inconstitucional. E ainda assim, esse tal Marco Feliciano se achou no direito de se basear nas crenças de sua religião, que é contra a homossexualidade, e criou uma lei que foi chamada de “Cura gay”, permitindo a psicólogos que façam tratamentos para reverter a homossexualidade. Ele não exige que seja feita essa cura, mas trata a homossexualidade como uma doença ao invés de uma opção de cada um.

Senhoras e senhores, Marco Feliciano
A falta de respeito do pastor à liberdade de expressão vai além da “Cura gay”. No Twitter, Feliciano escreveu: "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição". Na rede social, também declarou que “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé.”. Até vídeos humorísticos o pastor já atacou. Recentemente, fez um apelo no Twitter para que seus seguidores denunciassem um vídeo do grupo “Porta dos Fundos” que mostrava as reações a uma imagem de Jesus que teria aparecido na vagina da personagem.

Agora, já é ruim um cidadão assim ser deputado federal, mas tudo pode piorar. O homofóbico e racista, deputado federal e pastor, senhor Marco Feliciano é ninguém mais ninguém menos que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Sim, alguém que vai contra a liberdade de expressão, que é um direito humano, é o presidente da comissão pertinente a esse assunto.

Uma coisa boa desse assunto é a repercussão dos atos de Feliciano entre a população. Não é difícil abrir um portal de notícias na internet e ver uma manchete sobre manifestações contra o pastor, que vêm de várias formas. Inclusive uma espécie de campanha contra o pastor foi feita. Nela, pessoas escreviam em cartazes algo sobre elas seguido de “Feliciano não me representa”.

E realmente, alguém com um histórico de declarações preconceituosas, que é claramente contra a igualdade de direitos humanos, não pode estar a frente de uma comissão que trata exatamente desses direitos. Não poderia nem estar na Câmara. Algumas pessoas que Feliciano representa, ele repudia. É algo tão absurdo que é até difícil de ser assimilado.

Infelizmente, tirar o pastor do poder agora é difícil. O que nos resta é torcer para que as manifestações populares contra o deputado sejam refletidas nas urnas. Para o bem do Brasil, Feliciano deveria ficar quieto na sua igreja e bem longe de Brasília. “Eu sou o povo brasileiro, e Feliciano não me representa”.

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