7 de junho de 2013

Na madrugada...

Escrito por Kk Moura
A vitrola rolando um blues.
Não gente, eu não vou postar a música. O título faz jus ao momento que eu estou escrevendo esse post. São 01:35 da manhã de sexta-feira. O mundo parece bem melhor assim. Nada de barulho de ambulância. Tem uma música tocando em algum bar da avenida. Imagino que algumas pessoas estejam ouvindo a música. E outras só fingem ouvir. Elas estão longe. Muitas vezes longe de si mesmas. Buscando encontrar alguma explicação para o que ocorre na vida delas. Até a alegria em demasia é motivo para preocupação e interrogações. Será que sempre vou ser feliz como agora? Por que sinto tanta alegria? Ora. Até a felicidade preocupa e irrita as pessoas. E os problemas tornam provação divina. Quem sofre na terra é porque é corajoso e forte demais. A alegria é boemia. O malandro é malandro. O malandro não é o homem feliz. O malandro não é o homem descolado. O malandro continua sendo malandro. E a madrugada entra dentro de mim como se fosse a fumaça do cigarro. Ela invade meus pensamentos e me faz questionar o que é realmente importante nessa vida. Eu moro perto do velório. Eu vejo a morte todos os dias. Hoje eu consigo lembrar que eu vou morrer um dia. Que os passos que eu dei serão dissolvidos como um desenho na areia da praia quando é invadido pela água do mar. Eu serei pó. Pó de café. Coado e jogado fora depois. E vai saber onde ele vai parar. Eu não sei onde eu vou parar. Só sei que agora já é tarde. Minto. Agora é cedo demais para pensar nisso...