24 de janeiro de 2014

O silêncio do respeito

Escrito por Rafael Leite


Há praticamente três meses fiz uma matéria (junto com o Igor Batalha, aqui do blog, e outros dois amigos, Hugo L’abatte e José Victor Fantoni) sobre um projeto do músico mineiro Gabriel Guedes, filho do também músico Beto Guedes, um dos fundadores do Clube da esquina. O projeto consistia em colocar pianos em algumas praças de Belo Horizonte, para exatamente levar um pouco de música para a população. Haviam cinco pianos: um na praça Ernesto Fassini, em Santa Tereza; outro na Avenida Bernardo Monteiro, no Santa Efigênia; um terceiro existia na praça Sete, no centro de Belo Horizonte; um na praça Israel Pinheiro, mais conhecida como praça do Papa, no Mangabeiras; e um último na praça Diogo de Vasconcelos, ou praça da Savassi. Na ocasião entrevistamos Gabriel, que estava bem animado com seu projeto, mesmo que nenhum deles tocava mais como antes.
Como na ocasião não publiquei a reportagem, irei anexá-la nesta publicação, antes de continuar:
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Os cinco pianos de Gabriel Guedes
Projeto do músico mineiro completa quatro meses. Quais foram os resultados?
Igor Batalha
José Victor Fantoni
Hugo L’abatte
Rafael Leite
Em julho deste ano, o músico mineiro Gabriel Guedes, 35 anos, filho do cantor Beto Guedes (do grupo Clube da Esquina), começou a colocar pianos em alguns espaços públicos de Belo Horizonte. Ao todo, cinco pianos foram colocados à disposição da população ao longo destes quatro meses. Mas será que o músico conseguiu levar essa cultura do piano para a vida dos belorizontinos? Veja abaixo o estado e a localização desses cinco pianos que foram disponibilizados para o público e tire suas próprias conclusões.
Praça Ernesto Fassini (anteriormente na Praça Duque de Caxias, ambas no bairro Santa Tereza, região Leste)
Foto: Hugo L'abatte
Um dos primeiros a ser colocado. Estava na Praça Duque de Caxias e foi movido para a Praça Ernesto Fassini pelo próprio Gabriel Guedes após, segundo ele, o morador responsável por trancar o piano às 22h e destrancá-lo 8h nunca mais ter aparecido para liberar o piano para o uso do público. O próprio Gabriel teve de ir ao piano quebrar o cadeado. “Preferi colocar o piano na Praça Ernesto Fassini para que ele [o morador] não fizesse isso de novo”, disse.
Foi o instrumento que se encontrou em bom estado por mais tempo. Possuía uma cadeira para tocar e um cartaz da associação dos moradores e comerciantes do bairro pedindo a preservação do piano. Segundo o músico, foi o piano que durou por mais tempo pelos moradores terem comprado a ideia e tomado mais cuidado com ele. O instrumento era muito usado de sexta a domingo devido a grande movimentação na praça, onde se encontra o Bar do Orlando e a pizzaria Parada do Cardoso, famosos “points” do Santa Tereza. O piano está sem o banco e algumas de suas teclas estão grudadas, mas algumas ainda emitem som. Nenhuma madeira foi furtada, mas aparentemente já está bastante degradada. Sua lona, que era usada para protegê-lo contra o sol e a chuva, foi furtada.
Avenida Bernardo Monteiro (bairro Santa Efigênia, região Leste)
Foto: Igor Batalha
Foi o primeiro piano a ser colocado. Encontra-se com assento quebrado e nenhuma tecla funcionando, pois teve todos os martelos (peça responsável por bater na corda do piano após a tecla ser acionada, o que produz um som) quebrados. Gabriel disse que retirou a máquina para poder consertar, porém não teve tempo nem dinheiro para realizar a manutenção.
Rodrigo Haddad, 29, gerente da loja Cristina Uniformes, que fica em frente ao local do piano, disse que sempre aparecia alguém para tocar. Rodrigo declarou que “o piano trouxe mais harmonia ao local. Seria bom que esse piano fosse substituído por outro que estivesse funcionando, precisamos disso”. Renata Campos, 30, gerente da loja Complemento do Corpo, vizinha da de Haddad, disse que o piano foi destruído pelos andarilhos que ali habitam. “Senhoras que moram aqui no prédio, crianças, casais de namorados e até trabalhadores de uma obra no estacionamento aqui perto tocavam o piano e agora eles [os andarilhos] o destruíram”. O piano funcionou de Julho até o final de Agosto. Seu banco também está destruído e, além dos martelos, faltam alguns pedaços de madeira. Também se encontra sem a lona.
Praça Sete (centro da capital)
Piano da Praça Sete antes de ser
completamente destruído
Foto: Igor Batalha
Durou pouquíssimo tempo. Gabriel Guedes afirma que pessoas retiravam a madeira para vendê-la e comprar drogas. Ainda segundo o músico, alguns dos moradores de rua que dormem na praça colocaram fogo no piano após outro morador ter pegado um pedaço de pau para ficar passando pelas cordas expostas no piano. “Para não terem mais esse problema, eles atearam fogo no piano”.
Guedes não soube dizer como, mas o instrumento foi retirado do local. Ele suspeita que os mesmos moradores de rua tenham tirado toda a madeira do piano até não sobrar mais nada.
Praça do Papa (bairro Mangabeiras, região Centro-Sul)
Foto: Igor Batalha
Não possui assento para as pessoas tocarem e já não funciona. O vendedor ambulante Frederico Simões, 19, acredita que a deterioração do instrumento aconteceu mais por consequências da exposição dele ao tempo. “Acho que também houveram ações de vândalos, mas eu particularmente nunca vi”, disse. Seu pai, Rubens Lancuna, mais conhecido como Jamaica, que também é vendedor ambulante, disse já ter visto algumas pessoas vandalizando o piano. “Quando eu via, tentava afastá-los. Era minha contribuição para a conservação do instrumento”, declarou.
O piano está pichado e também está com as teclas grudadas. Algumas poucas ainda funcionam. Nunca possuiu banco e sua lona também já não se encontra mais junto a ele.
Praça da Savassi (também na região Centro-Sul)
Foto: Rafael Leite
Gabriel Guedes critica o fato de que este piano durou menos do que o piano da Praça Sete, mesmo estando na região Centro-Sul da capital, onde há pessoas de classes mais altas. Devanir Rodrigues, 38, gerente da loja Café Três Corações, disse que a depredação começou em um evento ocorrido na Savassi poucos dias após a colocação do instrumento. “As pessoas subiam no poste [onde o piano está acorrentado] e desciam até cair no piano, como se fosse pole dance. Pessoas de classe média, não moradores de rua”, afirmou Devanir.
O piano encontra-se com todas as teclas grudadas, mas com todas as madeiras, mesmo que bastante degradadas. Também não possui banco e sua lona de proteção à chuva foi furtada.
O PROJETO DE GABRIEL GUEDES
Segundo o músico, a ideia surgiu enquanto ele assistia à um filme sobre a vida de Van Gogh. “Em uma cena, apareceram algumas pessoas dançando debaixo de uma árvore, junto de um piano e um violino, e pensei em fazer isso aqui também, colocar um piano permanentemente numa praça e deixar o povo tocar quando quisesse”. Ele já possuía dois pianos usados, que foram os primeiros a serem designados para as praças.
O OBJETIVO DE GUEDES
Primeiramente, ele usou o piano para manifestar contra a política do país. Mas também queria dar acesso a quem nunca teve um piano. Visto como instrumento de elite, Guedes queria populariza-lo. Além disso, quis “promover encontros, como chamar a galera pra tocar a noite, tomar um vinho, fazer um luau, etc.”.
DIFICULTADES
A Prefeitura de Belo Horizonte quis multar o músico em R$150,00 por dia se ele não retirasse os pianos da praça. Graças a manifestações populares, acabaram liberando a permanência dos instrumentos e assim aconteceu. Outra dificuldade foi a financeira. Como não possui apoiadores para o projeto em Belo Horizonte, ele mesmo tinha que bancar a compra dos instrumentos. Chegou até a abrir uma conta para que as pessoas colaborassem com o projeto. “Consegui cerca de R$850,00, mas ainda tenho uma dívida de R$900,00 da compra de um dos pianos”, contou.
Além disso, a conservação dos pianos era algo difícil de fazer. Ele tentava conversar com a comunidade para que esta ajudasse a tomar conta dos instrumentos. Não só para evitar vandalismo como para cobrir os pianos com uma lona que ele disponibilizava para cada um deles. Mas as lonas sempre eram furtadas, e na alta madrugada os pianos acabavam ficando à mercê dos vândalos.
RESULTADO DO PROJETO
Guedes afirma que o projeto superou as suas expectativas, devido, principalmente, a sua repercussão. “Apareceu mídia nacional pra fazer matéria e tiveram algumas histórias bastante interessantes com esses pianos como gari tocando Beethoven, deficiente visual tocando, pessoal fazendo luau em volta do piano e até fizemos uns shows lá na Praça Duque de Caxias”. Segundo ele, o projeto atingiu seu objetivo e continuaria atingindo, caso os pianos estivessem sempre a funcionar.
O FUTURO DO PROJETO
Outros três pianos já foram encomendados pelo músico para prosseguir o projeto: um a ser colocado no Museu do Ipiranga, na cidade de São Paulo; outro que deverá ser disponibilizado na Praça São Salvador, no Rio de Janeiro; e um terceiro que deverá ser implantado no bairro Padre Eustáquio, na capital mineira.
Gabriel ainda afirma ter conseguido um local que vende dez pianos por um preço menor, pretendendo compra-los e coloca-los nas praças. “O resultado do projeto superou minhas expectativas, ano que vem quero fazer mais.”. Ele ainda disse que pretende fazer algo para proteger melhor o piano da chuva e tentar trancá-los a noite para que os vizinhos não sejam incomodados por pianistas noturnos.

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Infelizmente, hoje a noite tive uma surpresa. Primeiro, eu não acreditei. Depois, quis colocar a culpa na chuva. Por último, vi que, realmente, falta respeito nesse mundo.
Foto: Elio Domingos Neto
O piano, na época o mais conservado (e eu, diga-se de passagem, achava sensacional o tanto que os moradores de Santa Tereza abraçaram a ideia) foi totalmente destruído. Um vândalo? Um morador de saco cheio? Já não sei. Mas é uma tremenda falta de respeito. Respeito com o Gabriel, que quis levar mais música, mais cultura para a população belo-horizontina, principalmente para a do bairro Santa Tereza. Bairro boêmio e tradicional de Belo Horizonte, que deu origem ao próprio Clube da Esquina. A esquina que dá nome ao grupo está no bairro, inclusive. Rua Divinópolis com Rua Paraisópolis. Era de se esperar que no bairro o piano fosse mais respeitado, o Gabriel fosse mais respeitado. Mas não foi. Não respeitaram o piano, o Gabriel, a população, a música! Quebraram o piano como se fosse... Sinceramente não sei o que mereça tanto descaso. E a troco de que?
Infelizmente, o piano se calou. Quem quiser tocar um piano que compre um, certo? Pra que um numa praça pública onde qualquer um possa tocar e se divertir, se sentir bem? Pra que aquele tanto de gente em volta do piano para escutar uma boa música e socializar um pouco com desconhecidos? Pra que piano na praça? Pra ser destruído por gente sem respeito ao próximo? Pra que respeito?
Igor: O objetivo mesmo então era dar essa popularizada no piano?
Gabriel: Um dos objetivos. O primeiro foi manifestar, depois dar um acesso pra quem nunca teve um piano e promover encontros, como chamar a galera pra tocar a noite, tomar um vinho, fazer um luau, essas coisas.

26 de dezembro de 2013

Esperança

Escrito por Rafael Leite
No dia da entrevista, fomos apurar com comerciantes da região dos pianos: Praça Ernesto Fassini, Praça do Papa, Avenida Bernardo Monteiro e Praça da Savassi. A ansiedade tomava conta de nós, principalmente de mim e do Igor, que entrevistaríamos aquele que teve a sensacional ideia de colocar pianos em praças públicas, a entrevista que garantiria a sensacional reportagem. Após a apuração (curiosamente, encontramos Gabriel Guedes no bar próximo ao piano da Savassi, mas não nos aproximamos, parecia estar tratando de negócios e não queríamos incomodar), eu e Igor fomos para minha casa, que fica próximo do bar. Eram 18h e pouquinha, precisávamos ainda terminar as perguntas a serem feitas para o Gabriel e adiantar algumas transcrições de entrevistas feitas pelos pianos. Iríamos encontrar o dono da ideia às 20h, em ponto. 19h40min saímos de casa.
Subimos a Rua Barão de Saramenha, viramos à esquerda. Caminhamos alguns metros na Rua Salinas, viramos à direita. Seguimos pela Rua Paraisópolis. Um pouco antes da famosa esquina da Rua Paraisópolis com a Rua Divinópolis – berço do Clube da Esquina, grupo no qual participava Beto Guedes, pai do Gabriel – fica o Godofrêdo. Chegamos lá eram 19h53min, 7 minutos de antecedência. Aguardamos dar as exatas 20h combinadas, e adentramos o bar.
- O Gabriel não está, acabou de sair. O que querem com ele? – disse o garçom.
- Temos uma entrevista marcada com ele às 20 horas. – respondeu Igor.
- Ele já deve estar voltando, vou tentar ligar para ele. Enquanto isso, fiquem a vontade. Vão querer beber alguma coisa?
Igor pediu um chopp e eu fiquei parado, esperando. Não conseguia ficar assentado, de tão ansioso que estava. Será que nossa matéria tinha morrido ali? Iríamos, mais uma vez, ficar sem a entrevista-chave? Já estava ficando aflito, o garçom tentara entrar em contato com ele por telefone, mas sem resposta.
- Igor, o que vamos fazer?
Assentei para tentar acalmar. Mesmo assim, não conseguia ficar sem olhar para os lados, e entre uma olhada e outra admirando a beleza do bar – bem interessante, por sinal: possui algumas miniaturas de aviões penduradas no teto, instrumentos musicais pregados nas paredes, um palco meio improvisado no meio, além das mesas, num espaço que parecia ter sido uma casa, outrora (será que ele mora ali?) – ficava olhando a escada, para ver se finalmente a estrela da reportagem chegava.
De repente (e finalmente), surge subindo as escadas um homem parecido com o Johnny Depp: cabelos longos, bigode, barba só no meio. O garçom avisa que estamos a sua espera. Ele coloca as compras que havia feito atrás do balcão e vem ao nosso encontro.
- Prazer, eu sou o Igor, este é o Rafael. Vamos começar?
- Sim, podemos.
- Primeiramente, de onde surgiu a ideia de colocar os pianos nas praças?
- Surgiu no ano passado quando eu coloquei um na Praça do Papa devido às manifestações contra o aumento dos vereadores. Tive a ideia quando estava vendo o filme sobre a vida do Van Gogh e tinha uma cena...

23 de setembro de 2013

Brasil do Reino de Deus

Escrito por Rafael Leite


Diz-se muito sobre o Brasil ser um estado laico, ou seja, ser neutro quanto ao campo religioso. Porém, nos últimos anos, uma tal “bancada evangélica” começou a interferir (até demais) em nosso país, principalmente um tal deputado federal, o pastor Marco Feliciano, que parece querer controlar a população. A religião pode interferir na política?

Não. Está escrito no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988: “VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa [...]”. Qualquer lei que for criada, baseada em crenças religiosas, seria inconstitucional. E ainda assim, esse tal Marco Feliciano se achou no direito de se basear nas crenças de sua religião, que é contra a homossexualidade, e criou uma lei que foi chamada de “Cura gay”, permitindo a psicólogos que façam tratamentos para reverter a homossexualidade. Ele não exige que seja feita essa cura, mas trata a homossexualidade como uma doença ao invés de uma opção de cada um.

Senhoras e senhores, Marco Feliciano
A falta de respeito do pastor à liberdade de expressão vai além da “Cura gay”. No Twitter, Feliciano escreveu: "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição". Na rede social, também declarou que “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé.”. Até vídeos humorísticos o pastor já atacou. Recentemente, fez um apelo no Twitter para que seus seguidores denunciassem um vídeo do grupo “Porta dos Fundos” que mostrava as reações a uma imagem de Jesus que teria aparecido na vagina da personagem.

Agora, já é ruim um cidadão assim ser deputado federal, mas tudo pode piorar. O homofóbico e racista, deputado federal e pastor, senhor Marco Feliciano é ninguém mais ninguém menos que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Sim, alguém que vai contra a liberdade de expressão, que é um direito humano, é o presidente da comissão pertinente a esse assunto.

Uma coisa boa desse assunto é a repercussão dos atos de Feliciano entre a população. Não é difícil abrir um portal de notícias na internet e ver uma manchete sobre manifestações contra o pastor, que vêm de várias formas. Inclusive uma espécie de campanha contra o pastor foi feita. Nela, pessoas escreviam em cartazes algo sobre elas seguido de “Feliciano não me representa”.

E realmente, alguém com um histórico de declarações preconceituosas, que é claramente contra a igualdade de direitos humanos, não pode estar a frente de uma comissão que trata exatamente desses direitos. Não poderia nem estar na Câmara. Algumas pessoas que Feliciano representa, ele repudia. É algo tão absurdo que é até difícil de ser assimilado.

Infelizmente, tirar o pastor do poder agora é difícil. O que nos resta é torcer para que as manifestações populares contra o deputado sejam refletidas nas urnas. Para o bem do Brasil, Feliciano deveria ficar quieto na sua igreja e bem longe de Brasília. “Eu sou o povo brasileiro, e Feliciano não me representa”.

7 de junho de 2013

Na madrugada...

Escrito por Kk Moura
A vitrola rolando um blues.
Não gente, eu não vou postar a música. O título faz jus ao momento que eu estou escrevendo esse post. São 01:35 da manhã de sexta-feira. O mundo parece bem melhor assim. Nada de barulho de ambulância. Tem uma música tocando em algum bar da avenida. Imagino que algumas pessoas estejam ouvindo a música. E outras só fingem ouvir. Elas estão longe. Muitas vezes longe de si mesmas. Buscando encontrar alguma explicação para o que ocorre na vida delas. Até a alegria em demasia é motivo para preocupação e interrogações. Será que sempre vou ser feliz como agora? Por que sinto tanta alegria? Ora. Até a felicidade preocupa e irrita as pessoas. E os problemas tornam provação divina. Quem sofre na terra é porque é corajoso e forte demais. A alegria é boemia. O malandro é malandro. O malandro não é o homem feliz. O malandro não é o homem descolado. O malandro continua sendo malandro. E a madrugada entra dentro de mim como se fosse a fumaça do cigarro. Ela invade meus pensamentos e me faz questionar o que é realmente importante nessa vida. Eu moro perto do velório. Eu vejo a morte todos os dias. Hoje eu consigo lembrar que eu vou morrer um dia. Que os passos que eu dei serão dissolvidos como um desenho na areia da praia quando é invadido pela água do mar. Eu serei pó. Pó de café. Coado e jogado fora depois. E vai saber onde ele vai parar. Eu não sei onde eu vou parar. Só sei que agora já é tarde. Minto. Agora é cedo demais para pensar nisso...

14 de fevereiro de 2013

A vida não é sua!

Escrito por Igor Batalha

Olá meus caros leitores! Depois de sei lá quantos meses sem postar, Rafael no meu pé mandando eu agilizar as postagens, estou de volta com um texto que já venho com ele na cabeça a quase um mês e devido a monotonia de cada dia e a preguiça minha grande inimiga, to aqui hoje pra postar ele pra vocês!

O assunto do post de hoje surgiu de uma conversa antiga que tive com um grande tio meu e relembrada recentemente em outra conversa que tive com minha namorada, que por fim me inspirou a escrever isso tudo aqui.

Muitas vezes as pessoas acreditam e dizem com total convicção que a vida é delas e por isso elas podem fazer o que bem entendem e que se dane o resto. Essa expressão "Vai cuidar da sua vida!" vocês já devem ta cansado de ouvir, ou até mesmo de falar, mas o que quero passar com esse texto, não é esse sentido das pessoas interfirindo na sua vida negativamente, falando que você tem que fazer isso ou aquilo, e sim pensar de uma forma mais branda, que vai muito além, levando em conta os laços que construímos com nossos entes queridos, sejam eles amigos, familia etc...
Assim que caímos nesse mundão, desde pequenininhos já começamos a criar laços com pessoas que de uma forma ou de outra serão essenciais nas nossas vidas, começando pelos nossos pais, seguido dos nossos parentes e por fim nossas grandes amizades e amores. Quando você cria um laço forte com uma pessoa, você esta diretamente conectada a ela, assim como ela também esta fortemente conectada a você!
Colocando a ideia da coisa na prática, é o seguinte meus caros leitores! Se algo de ruim acontece com seu pai por exemplo, logicamente isso também afetará você! Não só você como todas as pessoas que estão conectadas ao seu pai também! Só que o buraco é mais embaixo...
Algo de ruim acontecer com um ente seu é algo que estamos sujeitos a passar, mas a grande questão é, será que nós com nossos atos inpensados, não prejudicamos nossos entes de forma inconsciente sem ao menos perceber isso? É aí que mora o problema, pensar que a vida é nossa e fazer o que a gente quer e foda-se o resto. As vezes o seus atos podem gerar um sentimento tão negativo as pessoas que estão ligadas a você, que automaticamente você vai estar disseminando desgraça para elas. Desgraça é uma palavra bem forte pra usar, mas em outras palavras, estará disseminando negatividade.
Pensamos que podemos viciar em cigarro porque o pulmão é meu, eu que vou ser prejudicado, eu é que sei o que é bom pra mim, que posso beber quando der na telha, encher a cara de segunda a segunda porque o figado é meu, e não é assim que a coisa funciona!
Quando fazemos isso além de estarmos num constante suicidio inconsciente, estamos matando também nossos entes queridos de uma forma emocional e sentimental muito intensa, de forma extremamente negativa, porque você através dos seus laços com eles, estabeleceu uma grande conexão.
Já perdi um pai por isso, por ele pensar que podia fazer com a vida o que bem entendesse e acreditem, vocês estão conectados a uma rede de pessoas que se importam com você, que irão sofrer com você, chorarão com você, e que da melhor forma, farão da sua felicidade, a felicidade delas! Não existe nada melhor que sentir a felicidade do outro, estampada nos nossos sentimentos, assim como ver a nossa felicidade estampada nas pessoas que estamos conectadas.
A maior ilusão do ser humano, é pensar que a vida é só dele e de mais ninguém, por isso pensem nos seus atos, e em tudo aquilo que vocês transmitem nessa conexão tão importante que ao longo da vida criaram e ainda vão criar! Transmitam positividade, amor e felicidade para aqueles que os amam e assim serão cada vez mais felizes!

Grande abraço!


27 de janeiro de 2013

Mais do mesmo: Santa Maria 2013 x Belo Horizonte 2001

Escrito por Rafael Leite


Há 11 anos e 2 meses atrás ocorreu um grande incêndio no Canecão Mineiro, aqui em Belo Horizonte/MG, na Av. dos Andradas, matando 7 pessoas e deixando outras 300 feridas. Um show pirotécnico no palco acabou atingindo o isolamento acústico do local, que acabou pegando fogo. E, mesmo com o incêndio, os seguranças impediram a saída dos clientes do estabelecimento.
 
Há pouco tempo, a TV Globo Minas relembrou o acidente do Canecão Mineiro
E no dia de hoje, outro grande incêndio atingiu a boate Kiss em Santa Maria/RS, na Rua dos Andradas. Mesma coisa, um sinalizador soltado no palco que incendiou o isolamento acústico, e, mesmo com o incêndio, os seguranças impediram a saída do público. Porém, tivemos mais de 230 mortes no caso de hoje. O mesmo erro, que custou a vida de outras centenas de pessoas. Porque as pessoas repetem os erros?
É, no mínimo, intrigante. Porque, na época do acidente do Canecão, não PROIBIRAM os shows pirotécnicos em ambientes fechados? É meio óbvio que, uma hora ou outra, o acidente iria se repetir. Mas, como o local não tinha alvará de funcionamento e estava irregular, sem saídas de emergência e tudo mais, parece que as pessoas esqueceram de se importar com o motivo real do incêndio e não fizeram simplesmente nada sobre isso. Imaginem, se uma lei tivesse sido criada lá em 2001 proibindo esses shows pirotécnicos em palcos fechados, nada disso aconteceria.
Outra coisa a se pensar são as saídas de emergência e as saídas de ar dessas boates. Muitos desses mortos em Santa Maria faleceram por pisoteamento e por causa da inalação da fumaça tóxica. Na época do incêndio de Belo Horizonte,         o teto se desmanchou, o que eu imagino que ajudou a fumaça subir e se dissipar pelo ar. Além disso, muitas pessoas fugiram do local pelo teto, segundo a reportagem que mostrei acima. Com isso, muitas mortes puderam ser evitadas. Mas no caso de Santa Maria, o local estava completamente fechado, a fumaça se concentrou naquele ambiente, o que causou as mortes por asfixia, e havia apenas uma porta de saída do local, o que dificultou a saída das pessoas.
E agora? Vão finalmente proibir shows pirotécnicos em ambientes fechados? Obrigar os locais a terem mais saídas de emergência? Ou teremos mais uma vez um incêndio como a do Kiss e a do Canecão Mineiro? Quantas pessoas mais terão que morrer para que façam alguma coisa? Nos vemos daqui a 10 anos.
Essa postagem pode ser alterada a qualquer momento com novas informações sobre o incidente.